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Texto: Francis Vieira - Fotos: Mario Villaescusa
Produzidas a partir da mecânica das americanas Harley-Davidson, as motocicletas Buell, embora ofereçam soluções que as tornam um fenômeno nas curvas, traziam como herança dos motores Harley o alto índice de vibração e a baixa potência em comparação com esportivas da mesma de cilindrada. Para aumentar a potência e não abrir mão da arquitetura que oferece uma ciclística arrebatadora nas curvas a solução foi utilizar um V2 completamente novo. Surgia a nova Buell 1125R.
O nome 1125 faz referência ao motor austríaco Helicon, desenvolvido em parceria com a Rotax, bem diferente dos antigos Thunderstorm que equipam osoutros modelos da marca com comando no bloco e refrigeração mista por ar e óleo. O V2 desta superesportiva tem pistões inclinados a 72º com duplo comando no cabeçote acionados por corrente (DOHC), re-frigeração líquida e injeção eletrônica. O novo motor desenvolve 146 cv de potência a 9.800 rpm e 11,3 kgf.m de torque a 8.000 giros. Como parâmetro, a XB12R Firebolt, 1.200cc que antes era a top da marca, rende 103 cv a 6.800 rpm. Além do aumento de potência, o novo V2 possui características diferentes do motor projetado pela Harley, começando pela inclinação dos pistões com 72º graus (45º na Firebolt), que ajudou a diminuir o índice de vibrações. A utilização de pistões de grande diâmetro e menor curso, além do comando de válvulas no cabeçote, tornou o motor mais elástico - agora a faixa vermelha começa a 10.500 rpm, quando nos outros modelos da marca começa a 7.000 giros.
A posição de pilotagem agrega a esportividade e o conforto na medida do possível
Com um motor mais potente, a 1125R teve que receber alterações para ser mais estável em altas velocidades, assim, tem 1.387 mm entre-eixos (66 mm a mais que a Firebolt). Normalmente, as Buell têm uma distância entre eixos tão curta que as tornam imbatíveis em curvas de pequeno raio, no entanto, em altas velocidades a moto não se comportava de maneira estável – essa medida ainda é curta se comparada à de outras superseportivas, como a Yamaha R1 2009 que possui 1.415 mm, o que indica que a 1125 não foge à característica que deu fama à marca.
Acelera V2
Já com a chave na mão descobri que a posição do contato mudou para perto da mesa. Nas outras Buell fica estranhamente à esquerda do farol, bastante desconfortável. O ronco do motor funcionando em marcha lenta é parecido com o de outras motos da marca com motor Harley, mas uma breve acelerada revela um som diferente, resultado de um motor esperto na subida de giro e também do trabalho de acústica do escape sob o motor. Mesmo com a utilização de três eixos balanceiros (contrapesos internos do motor que giram no sentido oposto ao do virabrequim) ainda é possível sentir a vibração emitida praticamente durante toda a subida de giro, que se torna mais evidente acima de 8.000 rpm, quando passa a ser sentida também nas pedaleiras.
A posição de pilotagem mistura esportividade e conforto. As pedaleiras são recuadas e o banco está pouco abaixo dos punhos, projetando o piloto para frente. Contudo, os semi-guidões estão próximos do banco e não obrigam o piloto a se projetar muito para frente. O design do painel está mais próximo às esportivas japonesas pelo uso de um grande contagiros analógico sobre um display digital de cristal líquido e iluminação de fundo laranja. Em baixas velocidades o erro do velocímetro varia entre dois e três quilômetros por hora a mais que o real mas em altas velocidades o velocímetro é preciso e registrou a mesma velocidade acusada pelo aparelho GPS.
Freios potentes porém, apresentam superaquecimento precoce
Na prática, a nova Buell 1125 é tudo isso e mais um pouco. Os 146 cv são entregues de uma vez ao simples movimento do acelerador. O torque está sempre presente, mas quando o motor ultrapassa 6.000 rpm se transforma num canhão e ganha giros instantaneamente, a ponto de fazer a frente se levantar sozinha mesmo em segunda e até terceira das seis marchas. O ganho de potência em comparação às outras 1.200cc da marca leva a velocidade máxima para perto de 270 km/h e o torque constante (máximo de 11,3 kgf.m a 8.000 giros) completam as características da superesportiva, com aceleração de zero a 100 km/h na casa dos três segundos. Até os 240 km/h a moto acelera incisivamente e só a partir daí o ganho de velocidade perde o ritmo.
Nas saídas de curva o acelerador de uma superesportiva precisa ser tratado com respeito, mas o V2 mostrou que além de potente é extremamente controlável e até em fortes reduções raramente trava a roda traseira. Na hora de frear o disco perimetral de 375 mm faz jus ao tamanho, com uma frenagem potente. A suavidade do sistema engana e quando percebemos a roda traseira já está se despregando do chão. Também pudera, com boa parte do peso deslocado para frente, inclusive o piloto, a moto parece uma escola de "RL". Em ritmo esportivo o sistema se aquece rapidamente e o poder de frenagem diminui, obrigando a aliviar ainda mais a pressão no comando do freio.
Um calor demasiado é transmitido do motor para o piloto e até outras partes da moto, como tanque e até pedaleiras, assim como nos modelos da marca. No trânsito da cidade de São Paulo a Buell aqueceu bastante e as ventoinhas do motor foram acionadas constantemente. Até com o motor desligado elas continuam refrigerando por alguns minutos. O tanque de combustível, com capacidade para 21 litros, faz inveja a muitas estradeiras e sugere uma generosa autonomia. No entanto, o motor é um convite a acelerar e consumiu em média 8,86 km/litro durante o teste, autonomia equivalente a 186 km.
Velocimetro responde instantaneamente as variações de velocidade
Com 43 cv a mais de potência e uma ciclística que possibilita limites mais elevados de pilotagem, a Buell oferece uma moto mais competente, porém não superior, para brigar com as esportivas japonesas. O preço de R$ 56.900 é inferior ao das japonesas Yamaha R1, Suzuki GSX-R 1000 e Honda CBR 1000RR, mas o principal atrativo da 1125 certamente não está em economizar R$ 4 mil ou R$ 5 mil, e sim na exclusividade.