AVENTURA

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Serra do Rio do Rastro
Data da Aventura: 3/1/2010




No início de Novembro do ano passado eu e minha esposa decidimos tirar uns dias de férias e neste exato momento me veio uma grande vontade de fazer um passeio que deveria constar no currículo de todo motociclista: conhecer a Serra do Rio do Rastro ! Seriam mais de 500km de Curitiba até lá, tranquilo. Então, comecei a pesquisar na internet sobre roteiros, distâncias, dicas, etc......e por incrível que pareça descobri uma coisa que me deixou perplexo: as informações disponíveis na grande rede não eram tão abrangentes quanto eu imaginara. De qualquer forma deu para se ter uma idéia do que teríamos pela frente. Aí, conversei com minha esposa e decidimos que passando a virada do ano, iriamos pegar estrada e passar o nosso aniversário de casamento conhecendo este lugar mágico. Seria ao bom estilo aventureiro mesmo, ou seja, sem prévia reserva em hotéis e nem compromisso com o relógio. É verdade que tinhamos o fator temporada ao nosso lado...nesta época do ano, na região que iriamos visitar era baixa temporada, então não deveriamos ter muitos problemas de super-lotação nos lugares. Decidido isso, comecei preparar a Magali, nossa BMW F800S, para a grande viagem. Fiz uma revisão completa e antecipada, trocando todos os fluídos de freio, refrigeração, óleo, filtros, pastilhas, velas e tudo mais que tinha direito !! (menos os pneus que esses já eram novos) Pra ser sincero, troquei até o que não precisava, mas prefiro pecar pelo excesso do que pela falta. Depois disso passei para a segunda fase, ou seja, equipar a moto....aí fui atrás de um bagageiro (só importando) e de um bauleto de 47 litros. Já tinha alforges laterais, caso fosse necessário. Neste meio tempo alguns colegas que viram que eu estava ocupado demais com a moto, perguntaram o motivo e eu comentei que era por causa da viagem. Um casal de colegas nosso se interessou e perguntou se podiam ir juntos...como são nossos melhores amigos e companias muito agradáveis, é claro que topamos e ficamos muito felizes. Pena que depois eles tiveram que mudar de planos e não foram conosco. Moto revisada e equipada, agora era só esperar chegarem as tão sonhadas férias e depois a virada do ano, para já iniciar 2010 com uma bela motocada ! E foi isso que fizemos....parêntesis.....neste meio tempo um dos colegas que sabia da viagem perguntou se podia ir junto. Como já havia tido uma desistência e este colega também era uma excelente compania, voltamos a nos alegrar com mais um companheiro de estrada. Dessa vez deu tudo certo e ele foi conosco, conforme planejado. Chegando perto do grande dia, ou melhor, na véspera mesmo, resolvi mais uma vez olhar o trajeto na internet, só que desta vez acompanhado do meu GPS. Foi então que rascunhei num pedaço de papel as distâncias e uma sugestão de roteiro para viagem, bem como algumas opções de restaurantes e pousadas. Sendo assim, no dia 03 de Janeiro nos encontramos as 8h em um posto e logo fomos para a estrada (BR-116), onde passados alguns quilometros já no deparamos com uma chuva forte que insistia em nos acompanhar e acabou fazendo com que após apenas 100km, antecipacemos uma parada em Rio Negro/PR. Aproveitamos a parada para tomar um café e esticar as pernas. Aí a chuva deu uma trégua e seguimos viagem com tempo bom. Foram mais 160km até Santa Cecília/SC, onde fizemos outra parada para esticar as pernas e abastecer as motos. Voltamos para a estrada e rodados mais 110km paramos para almoçar, já quase em Lages/SC. Encontramos um restaurante excelente e após a refeição ainda ficamos por lá um tempo descansando e curtindo o lugar, mesmo porque o trecho mais longo já haviamos superado. Barriga cheia, pernas esticadas e energia renovada, seguimos por mais 90km até nosso destino, São Joaquim/SC, a cidade mais fria do Brasil. Antes de chegar ainda paramos no Mirante das Araucárias, onde apreciamos a linda paisagem e já no final da tarde finalmente chegamos em S. Joaquim, onde ficamos hospedados. Naquela noite saimos para jantar e conhecer um pouco da cidade, como por exemplo a igreja matriz de São Joaquim. Daí a chuva voltou a aparecer e se manteve por mais 2 dias seguidos, indo e vindo alternadamente, fruto do calor e também da região serrana. Recuperados com uma ótima noite de sono, tomamos café, abastecemos as motos e seguimos para a estrala maior do roteiro, a Serra do Rio do Rastro, que ficava aproximadamente a 40km da cidade. Estrada boa e tranquila, fomos curtindo a paisagem até que finalmente chegamos ao mirante da serra, onde aos 1.421 m de altura poderiamos vê-la de cima e nos emocionar com sua beleza. A serra se impõe e nos deixa com medo de enfrentar as sinuosas curvas que fazem parte de seu caminho, mas esse medo é só um estímulo a mais que nos impulsiona a enfrentar aquela maravilha de lugar. Fomos descendo a serra, curtindo a paisagem, parando em alguns refúgios para tirar foto e logo chegamos em Lauro Mueller/SC, pequena cidade ao pé da serra, cuja altitude fica em torno de 100m, ou seja praticamente ao nivel do mar. Por aí se tem uma ideia do que é a Serra do Rio do Rastro...uma ligação de mais de 1km de altitude !!! Seguimos a diante até Orleans/SC, onde almoçamos e conhecemos outros pontos turísticos como as esculturas no paredão e o museu ao ar livre. Ao final do dia retornamos a São Joaquim, desta vez subindo pela serra e mais uma vez curtindo sua beleza e deslumbre. Passado mais uma noite de sono e um delicioso café da manhã, fomos conhecer uma cidade vizinha chamada Urubici/SC, que fica a 60km de S. Joaquim. Nesta manhã o sol estava ao nosso lado e a estrada para Urubici era tudo que qualquer motociclista pediu a Deus.....asfalto excelente, pouquissimo movimento e muitas, muitas curvas. Foi pura diversão e quando paramos no mirante de Urubici o sorriso não saia da boca e chegavamos até a nos questionar se iriamos pra cidade ou fariamos o trajeto de volta, novamente brincando nas curvas. Bom, teriamos que fazer o trajeto de qualquer forma para voltar a S. Joaquim depois, então decidimos continuar os planos de conhecer Urubici e deixar mais uma parte da alegria para o final do dia. Chegando em Urubici já fomos nos informar sobre os pontos turisticos e uma triste informação que tinhamos se confirmou: o trajeto para a Serra do Corvo Branco era em estrada de terra. Esta serra haviamos visto na internet e apesar de ser menos extensa que a do Rio do Rastro, parecia ser bem mais íngreme e sinuosa. Pior que a mesma estrada que nos levava para a serra do Corvo, levava aos demais pontos turisticos da cidade. Já sabiamos que nossas motos street não se sentiriam a vontade na terra (nem nós), mesmo assim fomos até a tal estrada para avaliar o grau de dificuldade e decidir se iriamos enfrentá-la ou não. Graças a Deus São Pedro foi camarada e logo que entramos na estrada de terra, que no começo estava ótima, começou a chover o que nos fez parar imediatamente e voltar para a cidade onde almoçamos e tivemos uma grande ideia, alugar um taxi e pelo menos ir conhecer os pontos turísticos de Urubici. E foi o que fizemos e também quando percebemos o quanto São Pedro foi legal quando mandou aquela chuva, pois se no inicio a estrada estava boa, logo depois estava um caos...só de carro mesmo. Nosso simpático e atrapalhado taxista-guia nos levou então ao Morro da Igreja, que é a paisagem mais linda que já vi na vida. Se alguém duvida que Deus existe, precisa conhecer esse lugar, que fica a 1.800m de altitude. Ao lado do mirante encontra-se uma base militar com os radares do Sindacta. Depois ainda passamos pela Cachoeira Véu de Noiva e pela Gruta, lugares muito bonitos também. Na volta a S. Joaquim não pudemos aproveitar a deliciosa estradinha novamente por São Pedro insistia em nos lavar com muita água. Depois de um dia bem agitado, ainda paramos num café colonial próximo a S. Joaquim e tomamos um delicioso lanche antes de retornar para o hotel onde passaríamos a última noite. No dia seguinte, acordamos cedo, tomamos café, abastecemos as motos e 8h estamos na estrada novamente, voltando pra casa. Pegamos tempo bom, sem nenhuma chuva e com o sol brilhando forte. Voltamos pela mesma estrada que fomos, fazendo pernadas mais longas, o que nos rendeu um retorno mais rápido porém sem ser cansativo. Logo após o almoço já estavamos de volta a Curitiba, com 1.200km de histórias, lembranças e uma camera cheia de fotos ! Este é uma passeio que pretendo fazer novamente e recomendo a todo mundo, principalmente aos motociclistas. Agora é esperar as próximas férias ou um feriadão prolongado e planejar mais uma bela aventura em algum dos milhares de lugares maravilhoso que existem por esse nosso Brasil.

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